"O conhecimento é uma arma, essa é a minha definição." Rodrigo Kazu.

Este é o livro de cabeceira de um neurocientista e tecnocrata.
Tornando novidades científicas palatáveis e aconselhando pautado na lógica e fundamentado na razão o auto-aperfeiçoamento consciente.


Ciencia, Pick Up e a Manter mulheres caras.

Para quem não viu, o governo decidiu finalmente aumentar a valorização dos cientistas nesse país aumentando o que paga aos pós-graduandos. Um aumento inicial de 10% já no próximo mês e uma promessa de 40% até o início do ano que vem. Muito justo. Uma das coisas que desestimula qualquer pessoa com a profissão é ter que passar anos de sua vida, depois de graduado, tendo que ganhar dois ou três salários mínimos apenas, enquanto seus amigos que trabalham no mercado corporativo ganham substancialmente mais.

A bolsa que recebo de mestrado, 1.200 reais, passará a 1.320. Não é o ideal, mas um começo. Eu descobri na prática que manter o padrão de vida de um carioca médio com esse salário é virtualmente impossível. E se você for uma pick up artist? O virtual torna-se ainda mais real. É complicado conseguir qualquer forma de crédito sendo um “bolsista”. Então você basicamente vive da sua renda bruta e do seu cartão universitário com um limite de fazer rir até o mais sério dos homens.

A motivação desse post, desta vez, foi uma mulher que conheci no 15º dia do Desafio Stylelife, que estou fazendo. O desafio visa uma melhora significativa nas habilidades sociais e no lifestyle em geral. Pois bem. A medida que você se torna um artista de sedução mais completo os resultados passam a aparecer exponencialmente e fica óbvio o problema de viver como cientista em formação no Brasil.

Consegui com sucesso um phone close (obtenção do número de telefone) de uma loira 9.5 (sim, os artistas de sedução dão notas para as mulheres, mas esse é um capítulo a parte), sem dúvida a melhor que eu já consegui desde que comecei nessa via de auto-aperfeiçoamento. Designer de interiores, 22 anos, vinda de uma família com posses, perfeito. Ou quase. A mulher é uma patricinha completa, daquelas de filme americano. É inteligente, sim. Tem um ótimo papo e é uma pessoa apaixonante. Mas é daquelas que pega táxi e não anda de ônibus nunca por princípio e medo (ironicamente eu a conheci num ônibus, mas enfim), que só aceita sair para locais caros, bancada e de preferência em um carro digno do homem que está com ela.

Você, como sedutor, consegue demonstrar todas as características necessárias para atrair uma mulher dessas em um primeiro momento, que dura muito pouco, porque logo depois seu valor despenca abruptamente quando você não se propõe a bancar o estilo de vida que ela quer. No final eu nem dei continuidade a essa sarge, ganhando esse salário patético seria perda de tempo. Estou preso as universitárias hippies e as colegiais fogosas até o final do meu post-doc.

É, rapaz, vida de intelectual não é mole.

Cognitive Dissonance. Porque o Kino funciona.

- SE VOCÊ JÁ CONHECE A COMUNIDADE DE SEDUÇÃO SINTA-SE LIVRE PARA PULAR PARA O READ MORE - 

Nas minhas andanças pelo mundo eu tive que desenvolver habilidades sociais, antes mesmo de me tornar um cientista, para conseguir me relacionar com o sexo oposto. Sempre fui um rapaz excessivamente tímido, até o final da adolescência, e não exatamente o mais bonito. Foi no final dessa fase que descobri um grupo até então “underground” e caricato onde todos utilizavam alcunhas: a comunidade de sedução.   

Nesse grupo as pessoas, inspiradas na sua maioria pelo gênio Eric von Markovich (que atende pela alcunha de Mystery), se dedicavam a estudar formas de auto-aperfeiçoamento visando a superação dos defeitos pessoais para, em última análise, conseguir atrair a garota. A masterpiece de Mystery foi o seu método detalhado dividido em fases para treinar qualquer homem em um sedutor. Método este coroado por seu livro: Mystery Method - How to get beautiful women into bed , escrito juntamente com outro monstro sagrado da sedução atualmente, Nick Savoy. A fórmula criada por ele alcançou definitivamente o topo de popularidade com o livro de Neil Strauss (que atende como Style): o infinitamente falado The Game - Penetrating the secret society of Pick Up Artists.

Agora eu, biólogo e neurocientista, posso com outros olhos avaliar as artimanhas dos artistas de sedução nos quais eu me incluo. E esse é um dos objetivos desse blog: dar a visão de um neurocientista e pick up artist sobre as ferramentas e conceitos utilizados pela comunidade, caçando charlatanismos e buscando explicações. Sempre pautado na lógica e fundamentado na razão, como diria um antológico conhecido webal.

Seu sucesso foi tanto que até mesmo um reality show no VH1 (chamado como os membros da comunidade se designavam: The Pick Up Artist) ele veio a ganhar, posteriormente. E a comunidade teve que se modelar a esse holofote que foi colocado sobre ela, muito charlatanismo surgiu, muito marketing veio e foi e muitos homens foram desiludidos por falsas fórmulas mágicas sem resultados exuberantes.

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Assistam esse vídeo antes de lerem o post de hoje, três minutinhos apenas.

Cautela com o Reducionismo, Amigos.

Mais uma vez fui levado a escrever um post em virtude de uma análise requisitada pelo meu valoroso amigo Rodrigo Furman, vulgo “Ken Himura”. Como eu sempre digo: das vantagens de ser um dos únicos cientistas do seu círculo social. As pautas surgem para você repercutir sem muito esforço. Hoje temos mais uma.

Eu sou fã assumido do Dr.Tyson, todos os que me conhecem sabem. Acho fundamental para a divulgação da ciência na nossa sociedade antropocêntrica a visão de que o Homo sapiens sapiens, nós, não somos nem de longe algo “especial”, “fora da curva” ou a magnum opus da natureza. Isso o Neil deGrasse passa com uma qualidade inquestionável.Temos, contudo, que tomar cuidado com certos reducionismos aos quais estamos extremamente acostumados.

Eu usei esse vídeo no início propositalmente, vejam só como para o mérito do argumento o reducionismo diferença no DNA = inteligência entre espécies mais próximas e de habilidades cognitivas distintas funciona. Ótimo, eu me senti possivelmente estúpido com esse vídeo, atendeu ao propósito.

Observando-se com cautela os tradicionais dados de diferenças genéticas entre homens e chimpanzés temos que a diferença de 0.6% atende por 13.6% em diferença nos sistemas imunes, por exemplo. E por alguns bilhões de neurônios a menos no cérebro dos pobres macacos. Diferenças massivas fruto de poucas alterações em genes não devem ser diretamente explicadas pelos genes em questão. A diferença nos números neuronais pode e deve ser explicada APENAS pelo fato de nós sermos integrantes da ordem dos primatas. Como assim Kazu? Eu explico.

Desde a segunda metade da década passada dados do meu laboratório (o grupo da professora Suzana Herculano-Houzel, na UFRJ) vem mudando o entendimento mundial sobre cérebros constarem da mesma “fórmula” de construção. Aparentemente cada ordem de mamíferos tem a sua própria maneira de moldar encéfalos. Com uma determinada massa, por exemplo, cada grupo te dará pautado em uma expressão matemática o número de células neuronais, não neuronais, entre outros dados. O resumo da ópera é: a diferença no número de neurônios entre nós e os belos chimpanzés não é fruto direto do famoso 0.6% e sim meramente consequência da nossa espécie estar no grupo dos primatas com um cérebro da massa que temos.

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Processo de treinamento de um cientista - Parte 1

Diletos, as atividades acadêmicas me sugam e por isso a demora neste novo post. A ideia para essa postagem é diferente, falarei de duas coisas que aprecio em um só texto dividido em partes: o processo de formação de um cientista e astrobiologia. Aqui está um ensaio sobre a definição, abrangência e os objetivos de uma cadeira fascinante que provavelmente me abarcará nos estudos para meu phD. Reproduzirei neste espaço o que levou dias de levantamento bibliográfico e síntese para sua confecção e posteriormente adicionarei as correções provavelmente muito acertadas do meu professor neste campo, com décadas de experiência e estudo extenso no assunto, o chefe do departamento de astronomia da UFRJ Gustavo F. Porto de Mello. Boa parte do que é a formação de um homem de ciência consiste disso, produzir material e ser confrontado por catedráticos com muito mais bagagem que você, para obter experiência.
            Astrobiologia 

ENSAIO CIENTÍFICO – DEFINIÇÃO DE ASTROBIOLOGIA

O termo astrobiologia foi utilizado pela primeira vez pelo astrônomo Otto Struve em 1955 (Chyba & Hand, 2005). Tal nomenclatura, porém, só veio a ser aceita pela NASA em 2004 (Dick & Strick, 2004) em detrimento de outra palavra bastante famosa, exobiologia, cunhada pelo biólogo Joshua Lederberg (1960). A mudança foi deveras acertada, considerando que o termo precedente tinha a falha conceitual de excluir a vida endógena da terra do cerne da questão a ser estudada. Além de ser uma combinação inapropriada de radicais latinos e gregos muito embora o termo astrobiologia em si deixe implícito que estaria-se lidando com a biologia das estrelas. Isso por culpa pura e simples do prefixo “astron”, que é a palavra grega para estrela.

Além dos citados, dois outros termos são bastante dignos de nota. Bioastronomia, adotado pela International Astronomical Union (IAU 2004), que é, aparentemente, uma inversão de perspectiva ao termo astrobiologia. Enquanto este se propõe a estudar a biologia sobre os paradigmas do ferramental astronômico, aquele implica em um uso dos métodos biológicos para se estudar as questões dos astros, o que não faz sentido, por definição.

A tentativa com a adoção da palavra é colocar a biologia em primeiro plano, dando a real dimensão do problema, que é abordar a própria biologia. Ainda assim, não é uma escolha das mais acertadas do ponto de vista lógico e etimológico. Em última análise, o termos mais correto seria um de uso extremamente restrito: cosmobiologia (Dick, 1996), refletindo de modo correto o estudo da biologia do cosmos.

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Mais um passo a caminho da singularidade

Singularity is Near

Os que me conhecem a mais tempo sabem do meu apreço por futurologia. Minha mais nova aquisição para a estante de livros foi, inclusive, o “Physics of the Future” do talentoso Michio Kaku

Um termo recorrente nessa área é a singularidade, que explicada de maneira bastante simplificada seria algo mais ou menos assim: um evento previsto para o futuro no qual devido a progressão nos avanços científicos a humanidade alcançará um colossal avanço. Nessa onda também temos que a expectativa de vida será alterada, visto que a mesma tende a aumentar com os avanços na medicina.

Na singularidade chegaríamos ao ponto na história onde a pessoa poderá pegar sucessivos aumentos de sobrevida ao passo que se tornaria imortal. Ficção? A olhos pouco atentos, sim. Com um pouco mais de atenção pode-se perceber a formação de bases sólidas para esse fenômeno ocorrendo ao nosso redor.

Outro dia, em uma aula sobre envelhecimento, ouvi o mestre dizer (e ser severamente questionado) que os mais jovens naquela classe (nos quais eu estava incluso) veriam maneiras plausíveis e perfeitamente factíveis de se intervir na senectude. Já se sabe uma série de coisas a esse respeito, e só para citar um exemplo, a restrição calórica em camundogos já aumenta a expectativa de vida em cerca de 30%, além de manipulações genéticas em vermes nematódeos já terem elevado a dos mesmo em 70%. Essas vias metabólicas estão cada vez mais claras (ambas, aliás, mereceriam um post só para elas).

Para coroar meu otimismo, hoje em minhas leituras diárias me deparei com mais um passo no caminho da singularidade: um estudo publicado no Journal of Neuroscience pela equipe de Cui-Wei Xie da Universidade da Califórina, Los Angeles, nos deu mais esperança na reversão de alterações associadas a idade no cérebro. É conhecimento consolidado que a perda de memória com a idade está associada a perda de função e estrutura das sinapses (conexões entre os neurônios) de áreas como o Hipocampo, que são fundamentais para a memória. E mais recentemente se descobriu que um processo químico que altera a expressão de genes, chamado acetilação de histonas, pode estar relacionado com tudo isso.

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Caminhando e Mascando

                                 

Uma das coisas boas dessa vida de cientista é que nem sempre você precisa buscar temas para fazer posts em seu blog, já que boa parte das vezes seus amigos de fora da academia aparecem solicitando pareceres acerca dos fatos mais diversos do cotidiano. A pauta hoje me despertou uma curiosidade imensa e surgiu a pedido do meu valoroso amigo Rodrigo Balthar Furman, conhecido nas rodas pela alcunha de “Ken Himura”. Chiclete, mascar ou não?

Me lembro bem daquele vídeo bem famoso traduzido pelo Pedro Bial intitulado “Filtro Solar”. Especialmente uma certa passagem onde ele menciona algo ter a mesma utilidade que “mascar um chiclete para resolver uma equação de álgebra”, essa que obviamente é nenhuma, correto? Não se a neurociência puder dizer algo sobre.

                              Masque mais!

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